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Tribos online: Diz-me onde pões o like digo-te quem és

by Jaqueline
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Publicado originalmente em Delas.pt

Não são os sítios que fazem as pessoas. São as pessoas que fazem os sítios.

É cliché, mas tão verdade.

Tribos sempre existiram, podemos chamar-lhe comunidades ou mesmo grupos organizados. Foi assim que a humanidade chegou onde chegou, mais longe do que qualquer outra espécie. Segundo nos conta Yuval Noah Harari, no seu bestseller “Sapiens – Uma história breve da Humanidade”.

Hoje em dia, sabemos facilmente quem anda com quem, quem se dá com quem e possivelmente quem odeia quem. As redes sociais são uma montra da vida. Mas como qualquer montra, muitas das contas são montadas para serem bonitas à vista. Portanto, sendo uma montra não representa a realidade da loja, mas sim a imagem que a loja quer passar para o exterior.

Muitas vezes a montra está linda e quando entramos na loja a desarrumação é caótica. E as lojistas antipáticas. Uma montra bonita não significa que o interior da loja seja imaculado.

Será que por ter amigos que não têm redes sociais, ou que não ligam, estou abaixo da cadeia social? Será que todas as semanas devo jantar fora para ter boas fotografias para o Instagram?

Os meus likes nas redes sociais sociais não me deveriam definir, pois muitas vezes são colocados em contas estratégicas dadas pelo algoritmo, gerido da forma que lhe for mais benéfico.

Posso não ter patrocínios para jantar fora todas as semanas, para vestir as roupas da marca e, inclusivamente, para estar sempre em festas e jantares que aparentemente parecem perfeitos.

Mas será que as pessoas que não colocam fotografias perfeitas podem ter vidas recheadas e felizes? Podem. Podem ter amigos divertidos e que são mesmo amigos, e podem ainda, surpresa das surpresas estar de bem com a vida.

Aquelas tribos que Yuval fala são grupos que se organizaram em que tudo era partilhado, a comida, bebida, e os relacionamentos sexuais eram permitidos entre todos. A vivência era feita em pequenas vilas que não tinham interação com as outras. Ainda segundo o autor a “fofoca” foi o que permitiu a expansão da espécie.

Ora, ninguém diria que a “fofoca” foi a razão pela qual o homem dominou as outras espécies. Se assumirmos que haverá sempre fofoca, tal como montras, como é que podemos individualmente, navegar os meandros tecnológico sem ficarmos melindrados pelas vidas dos outros?

Fica a reflexão.

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